Cotações Mapas Notícias em seu e-mail
Precisa vender? Mais de 6.000 visitantes diariamente esperam pelo seu produto aqui no Pecuaria.com.br. Clique aqui e veja como e facil anunciar!
Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
141,00 133,00 137,00
GO MT RJ
133,00 130,00 136,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 1200,00
Garrote 18m 1430,00
Boi Magro 30m 1720,00
Bezerra 12m 900,00
Novilha 18m 1130,00
Vaca Boiadeira 1350,00

Atualizado em: 16/10/2017 10:09

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
Clique aqui e veja cotações anteriores

 

 

 

 


 
Receba, diariamente, em seu
e-mail nosso boletim com os assuntos que mais interessam
ao profissional do setor.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.


Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

ARTIGO - Não há filé grátis

 
 
 
Publicado em 06/04/2011

Antônio José Maristrello Porto e Rafaela Nogueira
Publicado em O Estado de S.Paulo - 06/04/2011

Recentemente foi anunciado que o Ministério Público Federal no Rio de Janeiro decidiu abrir inquérito civil público para investigar a relação da BNDES Participações S. A. (BNDESPar), braço de atuação no mercado acionário do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com o Grupo JBS-Friboi. O procurador da República que tomou a decisão de abrir o processo, no entanto, não forneceu maiores detalhes acerca do inquérito. O BNDES, por sua vez, informou que todas as suas operações são feitas com transparência. Esse fato suscita a importância do debate sobre o procedimento decisório que orienta o BNDES.

Vejamos, por exemplo, a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), implementada pelo BNDES após a crise de 2008. A PDP visava a "conferir maior potência à Política Industrial, por meio da ampliação da sua abrangência, do aprofundamento das ações já iniciadas e da consolidação da capacidade de desenhar, implementar e avaliar políticas públicas", e teve como um de seus focos o setor de carnes. Um possível problema causado pela PDP seria um desarranjo no mercado de carnes no Brasil, uma vez que os frigoríficos que obtiveram financiamento do BNDES, além de se tornarem maiores, também compraram frigoríficos menores. O resultado dessas aquisições pode ter sido um setor menos competitivo, gerando uma piora tanto para os produtores quanto para consumidores de carne, dado que os frigoríficos atuam como intermediários nesse segmento, comprando o boi do fornecedor e revendendo a carne para o consumidor final.

A pergunta que surge é: será que esse aumento da concentração de mercado causou algum mal ao mercado de carne brasileiro? Recente estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Direito e Economia (CPDE) da FGV Direito Rio objetivou mensurar o impacto dos empréstimos concedidos pelo BNDES aos frigoríficos sobre os preços percebidos pelos consumidores e produtores de carne no Brasil, separando os efeitos, concomitantes, da crise financeira de 2008. O estudo apontou indícios de que os empréstimos fornecidos pelo BNDES possibilitaram a ampliação dos lucros dos frigoríficos à custa dos consumidores e dos produtores de carne brasileiros. Ao analisar uma base de dados fornecida pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), composta pelo Índice de Preços ao Consumidor e pelo Índice de Preços Recebidos pelo Produtor de alguns produtos, o estudo sugere que, relativamente a outros setores, que também sentiram o impacto da crise financeira de 2008, o de carnes apresentou simultaneamente aumento de preço para o consumidor final e queda do preço recebido pelo produtor.

Portanto, a única diferença importante entre os setores, pós-crise, seriam os empréstimos recebidos pelos frigoríficos. Desse modo, torna-se possível separar os dois efeitos - crise de 2008 e empréstimos do BNDES - e calcular como os empréstimos podem ter impactado os preços, tanto o recebido pelo fornecedor como o pago pelo consumidor final. O método empregado no estudo indicou um aumento da margem de lucro para os frigoríficos em detrimento do excedente do fornecedor e do consumidor de carnes. Em outras palavras, o consumidor está pagando mais, o fornecedor está ganhando menos e os frigoríficos estão ganhando dos dois lados.

Os resultados até o momento alcançados apontam para a necessidade de serem conduzidos estudos mais aprofundados sobre o setor, tendo em vista que há evidências de que as alterações no mercado de carnes acarretadas pela intervenção do BNDES levaram a consequências não necessariamente desejadas pela sociedade brasileira. O estudo sobre esse tema, para além de aprofundar o conhecimento a respeito do mercado de carnes, pode também lançar luz sobre o debate referente ao desenvolvimento de uma política industrial consistente com as projeções de aumento da produção brasileira para os próximos anos. O debate acerca dos contornos de uma política industrial bem-sucedida envolve a explicitação de quais são os agentes econômicos beneficiados e, também, a identificação da redistribuição dos custos para quais agentes econômicos. É um exercício de ponderação que deve ser racionalmente compreendido e democraticamente debatido.

A discussão sobre quem deve ser o escolhido para receber os incentivos de uma política industrial deveria passar por critérios claros e transparentes e maior controle democrático do processo de tomada de decisão no âmbito das estratégias de políticas industriais. Dessa forma, a discussão deixa de ser se queremos ou não alguma política industrial, mas, sim, como devemos realizá-la. Qualquer forma de política industrial deve ser dirigida a ganhos da sociedade.

Podemos aproveitar o momento como uma oportunidade. Oportunidade para pensar e inventar alternativas quanto aos objetivos e às formas de fazermos política industrial. Contudo, ao mesmo tempo, devemos garantir a possibilidade de transparência e de mecanismos de controle democrático desse processo decisório. Temos uma oportunidade para inovar. Mas devemos aproveitá-la com responsabilidade.

Política industrial não é um bicho de sete cabeças. Tampouco é letal. Em vez de escolher mais ou menos política industrial, devemos compreender que ela pode ser organizada de diferentes formas, com diferentes consequências. A ideia de que os arranjos institucionais atuais são os únicos possíveis é uma ilusão. As formas já estabelecidas representam hoje apenas uma opção, e não necessariamente são as mais eficientes. Como já dizia o famoso economista Milton Friedman, não há filé grátis.

RESPECTIVAMENTE, PROFESSOR DA FGV DIREITO RIO E COORDENADOR DO CPDE; PROFESSORA DA FGV DIREITO RIO, PESQUISADORA DO CPDE E DOUTORANDA DA ESCOLA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA (EPGE)

  Compartilhe Compartilhe esta matéria    Imprimir

 


   Leia também:
 
[16/10/2017] - JBS desiste de oferta de ações nos EUA
[16/10/2017] - Cade deve rejeitar nesta semana compra do Mataboi
[16/10/2017] - Arroba: mercado vive impasse
[16/10/2017] - Atacado da carne caiu mas margem de frigo subiu
[16/10/2017] - ICMS cai, mas preço da carne não cairá
[16/10/2017] - Leite: produtor pede socorro
[16/10/2017] - Governo envia missão para discutir leite uruguaio

Regras para a publicação de comentários


   Notícias Anteriores
 
[16/10/2017] - Reposição lenta não derruba preços em MG
[16/10/2017] - Uréia agrícola está mais cara
[16/10/2017] - Argentina quer 5% do mercado da UE para o Mercosul
[11/10/2017] - MPF concorda com a PF e denuncia irmãos Batista
[11/10/2017] - PF vê risco de calote bilionário da JBS
[11/10/2017] - Frigoríficos esperam novos mercados ainda em 2017
[11/10/2017] - Arroba: mercado em ritmo de feriadão
[11/10/2017] - MAPA tenta solução para vender mais ao Irã
[11/10/2017] - Brasil suspende importação de leite do Uruguai
[11/10/2017] - O leite vai subir com embargo ao Uruguai?
[11/10/2017] - CEPEA: consumo de leite ainda é fraco
[11/10/2017] - Produtor de leite vive momento complicado
[11/10/2017] - Milho volta a subir
[10/10/2017] - Justiça já bloqueou R$ 730 milhões da JBS
[10/10/2017] - PF aponta que irmãos Batista manipularam o mercado
[10/10/2017] - Carne: preço sobe e ensaia recuperação
[10/10/2017] - Exportações: outubro começou com alta de 25%
[10/10/2017] - Arroba: frigoríficos estão testando o pecuarista
[10/10/2017] - Governo do MT não vai prorrogar ICMS menor
[10/10/2017] - Acrimat: ICMS menor estimula concorrência pelo boi
[09/10/2017] - MPF vê risco de quebra da JBS
[09/10/2017] - Pecuaristas ainda preocupados com a crise da JBS
[09/10/2017] - Carne sobe e pode puxar a arroba do boi
[09/10/2017] - Arroba: frigoríficos tentam pressão sobre o boi
[09/10/2017] - Reposição: esperando pela chuva e pela alta do boi
[09/10/2017] - Pecuaristas do Mercosul criticam oferta européia
[06/10/2017] - Juiz bloqueia todos os bens da família Batista
[06/10/2017] - Justiça do MS bloqueia unidades e R$ 115 mi da JBS
[06/10/2017] - JBS reage a bloqueio de bens e dinheiro no MS
[06/10/2017] - Arroba: nem para lá, nem para cá
[06/10/2017] - Brasil abre mais um mercado para carne
[06/10/2017] - Arroba: preço do boi cai em Belo Horizonte
[06/10/2017] - Pecuaristas pedem volta do ICMS menor no MT
[06/10/2017] - Mato Grosso tem receita recorde com a carne bovina
[06/10/2017] - Pecuaristas denunciam fraude no leite uruguaio
[06/10/2017] - Funrural: Receita ignora resolução do Senado
[06/10/2017] - Governo prorroga desconto no ICMS de insumos
[05/10/2017] - BNDES volta a pedir mudanças na JBS
[05/10/2017] - Advogados vão atrás de provas contra os Batista
[05/10/2017] - Arroba: frigoríficos oferecem mais
[05/10/2017] - Arroba: exportações em alta não deixam sobrar boi
[05/10/2017] - Maggi negocia ampliação das vendas à Rússia
[05/10/2017] - Pecuarista joga 1.000 litros de leite fora
[05/10/2017] - Temer nega ter prometido arrendamento de reservas
[04/10/2017] - Arroba: reação dos preços está próxima?
[04/10/2017] - Reposição: relação de troca melhora no Tocantins
[04/10/2017] - Coaf identifica repasse de frigoríficos a político
[04/10/2017] - Coutinho diz que não apoiou monopólio da JBS
[04/10/2017] - PIB do Agro bate recorde histórico no Mato Grosso
[04/10/2017] - UE oferece cota baixa para carne do Mercosul

     Clique aqui para ver o índice geral de noticias


 

 

 

Adicione seu site Comprar e vender Atendimento ao anunciante Mais buscados

Venda para a pecuária brasileira através da Internet!
Clique aqui e veja como anunciar no Pecuária.com.br