Cotações Mapas Notícias em seu e-mail
Precisa vender? Mais de 6.000 visitantes diariamente esperam pelo seu produto aqui no Pecuaria.com.br. Clique aqui e veja como e facil anunciar!
Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
140,00 132,00 135,00
GO MT RJ
132,00 129,00 136,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 1200,00
Garrote 18m 1430,00
Boi Magro 30m 1720,00
Bezerra 12m 900,00
Novilha 18m 1130,00
Vaca Boiadeira 1350,00

Atualizado em: 19/10/2017 10:19

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
Clique aqui e veja cotações anteriores

 

 

 

 


 
Receba, diariamente, em seu
e-mail nosso boletim com os assuntos que mais interessam
ao profissional do setor.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.


Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Reforma agrária: quantidade dez, qualidade zero

 
 
 
Publicado em 23/02/2007

Xico Graziano

Nunca se assentou tanta família em tão pouco tempo. A briosa frase, proferida recentemente pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, comprova uma ousadia. Simultaneamente, expõe uma temeridade. A reforma agrária brasileira bate recordes de quantidade. Sua qualidade, todavia, é sofrível.

Segundo os dados oficiais, entre 2003 e 2006, foram realizados 381.419 assentamentos. Apenas em 2006, ano eleitoral, 136 mil famílias receberam terra. Orgulha-se o ministro: "trata-se do maior número de assentamentos feitos num só ano, desde que o Incra foi criado, 36 anos atrás". Pimba.

Somando-se os três últimos governos, dois de Fernando Henrique e um de Lula, 912 mil famílias tiveram acesso à reforma agrária. Considerando o período Sarney, Collor e Itamar Franco, pode-se afirmar que um milhão de famílias tornou-se "com-terra" desde a redemocratização do país. Uma enormidade.

Para comparação, sabe-se existir em São Paulo cerca de 250 mil agricultores. Quer dizer, a reforma agrária já ultrapassou em quatro vezes a agricultura paulista. Em todo o Brasil, somam-se perto de cinco milhões de estabelecimentos rurais. Assim, os assentamentos representam 20% de acréscimo nos produtores nacionais.

Pode-se também aquilatar o tamanho da reforma agrária pela área distribuída. Os dados indicam que a reforma atingiu 51,4 milhões de hectares nos últimos 12 anos. Desde a Nova República a área assentada alcança 60 milhões de hectares. Uma imensidão.

São Paulo cultiva 6,5 milhões de hectares. A safra nacional, neste ano, está plantada em 45,5 milhões de hectares. Somando-se os cultivos permanentes, toda a área explorada chega a 62 milhões de hectares.

Basta confrontar os números. A descoberta é surpreendente. A reforma agrária já tem o mesmo tamanho da agricultura tradicionalmente realizada no país. Na área agrícola, os sem-terra já empatam com os com-terra. E ainda tem gente, incrédula, pensando que a reforma agrária não anda.

Pergunta-se: qual a produção agrícola dos assentamentos rurais? Quanto contribuem para a safra nacional? Pasmem, ninguém sabe. Parece mentira, mas nunca se aquilatou o resultado produtivo da distribuição de terras. Beabá em economia, a relação custo-benefício jamais foi calculada.

As despesas do processo, apenas na última década, devem atingir R$ 50 bilhões. Também aqui, a conta é incerta. Nunca o Incra calculou, pra valer, o custo total dos assentamentos, incluindo a desapropriação, implantação e os subsídios no financiamento. Transparência zero.

Sabe-se, é verdade, existir assentamentos exemplares. São, infelizmente, absolutas exceções. Um chamado "censo da reforma agrária" se realizou há 5 anos. Os indicadores eram preocupantes. Má qualidade de vida se juntava à insuficiência da produção rural, com renda média baixíssima. A desistência sempre foi muito elevada, na média, da ordem de 40%. Troca-se de lote como se compra carro velho.

No governo Lula, aumentou o problema. Milhares de famílias são assentadas sem nenhuma atenção ao planejamento, nem compromisso com a eficácia. Desapropriar continua a ordem do dia. Mais e mais terra é invadida, distribuída, sem melhorar a riqueza no campo. Pelo contrário, eleva-se a pobreza, ou melhor, se a espalha.

Não é estranho, aos estudiosos da reforma agrária, o efeito paradoxal do distributivismo no campo. Realizada sem planejamento, a desagregação da economia agrária troca investimentos por custeio pessoal, fazendo recuar o nível de produção. Aconteceu no Peru. A reforma agrária do esquerdista general Alvarado, no final dos anos 60, picotou a terra e elevou a miséria no campo. Quem visita Cusco enxerga nos mosaicos da paisagem esse drama fundiário.

Resquício do passado, quando o latifúndio representava o mal, a vendeta atual contra a grande propriedade produtiva provoca queda na produção agropecuária. Assim aconteceu na fazenda Teijin, em Nova Andradina, MS. Local de terras fracas, arenosas, a empresa japonesa desenvolvia, após alguns fracassos iniciais, uma pecuária tecnicamente adequada às condições do frágil ecossistema. Não resistiu à ânsia agrarista.

Na desapropriação da área, os próprios agrônomos do Incra desaconselharam o assentamento, face à limitação de fertilidade. A área não servia ao cultivo. Está lá, no processo. Nada adiantou o alerta. Num modelo onde importa a quantidade, seus 28 mil hectares engrossaram as estatísticas do governo. Sumiu a produção.

Agora o MST levou sua sanha até Roraima. A fazenda Bamerindus, próxima de Boa Vista, já dançou. Antigos projetos de colonização, cobertos por floresta virgem, igualmente sucumbem à motosserra. Na Amazônia, grileiros e invasores, ricos e pobres, se aliam para destruir a biodiversidade.

O recorde da reforma agrária brasileira, comemorado pelo governo, poderá, logo, entrar sim para o livro do Guiness. Não pelo tamanho. Será conhecido como o maior fracasso, mundial, de um programa público. Dez na quantidade, zero na qualidade.

A palavra-chave se chama aptidão. Enquanto a invasão de terra, com gente desqualificada, continuar passaporte para um lote, jamais o processo dará certo. Aqui está a virtude, na competência, não na grandeza.

O IBGE promete incluir agora, no Censo Agropecuário, o levantamento dos assentamentos rurais. Finalmente, a sociedade poderá conhecer, objetivamente, a magnitude de sua reforma agrária. Vai se espantar com o esqueleto atrás do armário.

*Xico Graziano é engenheiro Agrônomo, mestre em Economia Rural e doutor em Administração, foi Presidente do INCRA no governo Fernando Henrique Cardoso e Secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, hoje é o Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

  Compartilhe Compartilhe esta matéria    Imprimir

 


   Leia também:
 
[19/10/2017] - Saída da JBS trava mercado do boi no MS
[19/10/2017] - Pecuaristas não aceitam tombo da arroba no MS
[19/10/2017] - CPI: ação da JBS é estratégia do medo
[19/10/2017] - Protesto de funcionários da JBS reúne 4 mil no MS
[19/10/2017] - Com parada da JBS, pecuaristas pedem ICMS menor
[19/10/2017] - Justiça suspende bloqueio de bens dos Batista
[19/10/2017] - Arroba: parada da JBS afeta mercado do boi em SP

Regras para a publicação de comentários


   Notícias Anteriores
 
[19/10/2017] - Incerteza trava o mercado do boi
[19/10/2017] - Cade: venda do Mataboi deve ser anulada em 1 mês
[19/10/2017] - Marfrig reinicia abates em mais uma unidade
[19/10/2017] - Exportação de boi tem queda de quase 70%
[19/10/2017] - Leite cada vez mais caro para produzir
[19/10/2017] - Queda do leite deixa produtores com dívidas
[19/10/2017] - Produtores e índios querem trabalhar. E a Funai?
[19/10/2017] - Juízes e fiscais se recusam a aplicar nova lei
[18/10/2017] - JBS suspende abates em todas as unidades do MS
[18/10/2017] - Cade rejeita compra do Mataboi por Júnior Friboi
[18/10/2017] - BNDES pagou caro por ações da JBS, diz TCU
[18/10/2017] - Arroba: mercado do boi está devagar
[18/10/2017] - Polpa cítrica está mais cara
[18/10/2017] - Cade em alerta por concentração em insumos
[17/10/2017] - A verdade sobre a portaria do trabalho escravo
[17/10/2017] - Funcionários da JBS temem demissões em massa
[17/10/2017] - JBS disse que quer vender ações nos EUA em 2018
[17/10/2017] - CVM abre processo contra diretor da JBS
[17/10/2017] - Exportações de carne bovina sinalizam recorde
[17/10/2017] - UE: França vai usar Carne Fraca para barrar acordo
[17/10/2017] - Arroba: mercado trava com ofertas baixas
[17/10/2017] - Reposição sofre com a seca e indefinição da arroba
[17/10/2017] - Maggi: bloqueio ao leite uruguaio é temporário
[17/10/2017] - Produtores pedem maior atenção à pecuária de leite
[16/10/2017] - JBS desiste de oferta de ações nos EUA
[16/10/2017] - Cade deve rejeitar nesta semana compra do Mataboi
[16/10/2017] - Arroba: mercado vive impasse
[16/10/2017] - Atacado da carne caiu mas margem de frigo subiu
[16/10/2017] - ICMS cai, mas preço da carne não cairá
[16/10/2017] - Leite: produtor pede socorro
[16/10/2017] - Governo envia missão para discutir leite uruguaio
[16/10/2017] - Reposição lenta não derruba preços em MG
[16/10/2017] - Uréia agrícola está mais cara
[16/10/2017] - Argentina quer 5% do mercado da UE para o Mercosul
[11/10/2017] - MPF concorda com a PF e denuncia irmãos Batista
[11/10/2017] - PF vê risco de calote bilionário da JBS
[11/10/2017] - Frigoríficos esperam novos mercados ainda em 2017
[11/10/2017] - Arroba: mercado em ritmo de feriadão
[11/10/2017] - MAPA tenta solução para vender mais ao Irã
[11/10/2017] - Brasil suspende importação de leite do Uruguai
[11/10/2017] - O leite vai subir com embargo ao Uruguai?
[11/10/2017] - CEPEA: consumo de leite ainda é fraco
[11/10/2017] - Produtor de leite vive momento complicado
[11/10/2017] - Milho volta a subir
[10/10/2017] - Justiça já bloqueou R$ 730 milhões da JBS
[10/10/2017] - PF aponta que irmãos Batista manipularam o mercado
[10/10/2017] - Carne: preço sobe e ensaia recuperação
[10/10/2017] - Exportações: outubro começou com alta de 25%
[10/10/2017] - Arroba: frigoríficos estão testando o pecuarista
[10/10/2017] - Governo do MT não vai prorrogar ICMS menor

     Clique aqui para ver o índice geral de noticias


 

 

 

Adicione seu site Comprar e vender Atendimento ao anunciante Mais buscados

Venda para a pecuária brasileira através da Internet!
Clique aqui e veja como anunciar no Pecuária.com.br