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Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Dono da JBS se diz perseguido e fica em silêncio

 
 
 
Publicado em 08/11/2017

O empresário Wesley Batista, um dos sócios do grupo J&F, controlador da JBS, afirmou, nesta quarta-feira, que delatores como ele "estão sendo punidos e perseguidos pelas verdades que disseram". Ele alegou estar preso injustificadamente, sofrendo de solidão e medo.

Convocado a depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, ele fez uma breve fala na abertura da sessão, mas adiantou que ficará em silêncio, já que um complemento de sua colaboração premiada está sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele está detido na superintendência da Polícia Federal (PF), em São Paulo, pela prática de "insider trading" - utilização de informações privilegiadas para obter lucro no mercado financeiro.

O irmão de Joesley Batista disse, ainda, que seu acordo de delação é "o mais eficaz que se viu até agora no país". "Não tínhamos noção do quanto isso afetaria a nossa vida, a de nossa família e a de nossos filhos. Foi um processo de profunda transformação pessoal e empresarial."

Wesley disse que, por orientação exclusiva de seus advogados, não responderá as perguntas dos parlamentares, mas uma questão de ordem foi aprovada para que ele permaneça ouvindo os congressistas até o fim da sessão, ainda que em silêncio.

"Tendo em vista a complementariedade da minha delação ainda sob análise da PGR, um eventual depoimento sem autorização expressa do Ministério Público Federal poderia estar colocando em risco meu acordo e prejudicar minha situação", justificou-se. "Estou preso por um crime que jamais cometi, pois jamais descumpri meu acordo de colaboração. Mas, tão logo essa situação seja resolvida, eu me comprometo a prestar todos e quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários."

Diante de questionamentos apresentados por parlamentares na comissão, Wesley insistiu que permanecerá calado, seguindo seu direito constitucional. Ele reclamou, porém, que delatores como ele estão sendo "punidos e perseguidos pelas verdades que disseram".

O presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), chegou a propor uma sessão fechada para que Wesley fizesse depoimento, mas a defesa do empresário negou o pedido. Diante da negativa, Oliveira afirmou que Wesley, mesmo em silêncio, deveria permanecer na sessão e ouvir a todas as perguntas dos parlamentares. "Não vou proibir que algum parlamentar se manifeste. Não há jurisprudência para coibir nossos parlamentares", disse o presidente da comissão. "É constitucional o direito de permanecer calado, mas é nosso direito fazer perguntas."

Os parlamentares lembraram o episódio, na semana passada, em que o ex-diretor de Relações Institucionais do grupo J&F Ricardo Saud frustrou a expectativa da comissão ao permanecer em silêncio durante as mais de duas horas e meia de reunião. O ex-executivo havia deixado a penitenciária da Papuda para participar da comissão e, em uma de suas poucas falas, ele disse que, na primeira vez em que sentou para falar a verdade, foi preso. Portanto, permaneceria calado. Agora, disse Ataídes, não cabe esse discurso de que quem fala a verdade vai preso. "A verdade liberta; não prende", disse.  Com informações do Valor.

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