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Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
157,00 142,00 148,00
GO MT RJ
143,00 142,00 144,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 1420,00
Garrote 18m 1700,00
Boi Magro 30m 2030,00
Bezerra 12m 1050,00
Novilha 18m 1300,00
Vaca Boiadeira 1470,00

Atualizado em: 18/4/2019 10:57

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
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Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Embrapa trabalha preservação do gado Pantaneiro

 
 
 
Publicado em 28/08/2007

Raquel Soares Juliano, Urbano Gomes Pinto de Abreu e Sandra Aparecida Santos(*)

O rebanho de gado, que deu origem ao Pantaneiro, foi trazido da Península Ibérica para o Brasil, pelos Portugueses e Espanhóis, ainda na época do descobrimento, com a finalidade de fornecimento de alimento para a comunidade de colonos. Assim, quase sem interferência humana, o gado prosperou, adaptando-se aos diferentes ecossistemas desse país. A pressão da seleção natural por várias gerações ocasionou mudanças de tamanho, de biótipo e de temperamento, e acabou por estabelecer as diferentes raças naturalizadas brasileiras, incluindo o Pantaneiro, também conhecido como Cuiabano ou Tucura, que são animais reconhecidamente resistentes às condições ambientais e pouco exigentes.

Devido à necessidade de aumento de produção de alimentos e, por conseguinte da produtividade dos animais, vários países decidiram estabelecer extensos programas de melhoramento genético das raças locais, consideradas menos produtivas. De maneira geral, por meio de cruzamento as raças naturalizadas foram absorvidas pela raça melhorada, considerada de maior valor genético. Assim aconteceu com os animais da raça Pantaneiro, no qual foi estabelecido um processo de cruzamento absorvente a partir do início do século XX, em que houve introdução de genes zebuínos, especialmente da raça Nelore.

Atualmente existem apenas dois núcleos de conservação “in situ” do bovino Pantaneiro, sendo compostos de aproximadamente 300 indivíduos, localizados nos municípios de Corumbá-MS e de Poconé-MT. A Embrapa Pantanal, em parceria com outros centros de pesquisa e Universidades, dedica-se, desde 1984, a estudar características genéticas, produtivas, reprodutivas e sanitárias dessa raça.

O núcleo de conservação da Embrapa Pantanal é mantido na fazenda Nhumirim (Pantanal da Nhecolândia) e possui o objetivo de manter a variabilidade genética da raça, sendo os animais do núcleo manejados de forma a garantir a preservação do patrimônio genético. Também é utilizado em projetos que buscam agregar valor ao sistema de produção local, por meio de aumento na produtividade do rebanho e do desenvolvimento de manejo sustentável para a região do Pantanal.

Atualmente três principais aspectos da região do Pantanal favorecem a utilização do Bovino Pantaneiro,

1) o potencial turístico da região do Pantanal é inegável, e o Tucura é um elemento cultural importante e pouco explorado por este segmento produtivo. Ele faz parte da história da colonização e do desenvolvimento de uma atividade representativa do homem pantaneiro. A idéia dos empreendimentos de turismo rural tornarem-se novos núcleos de conservação viabiliza projetos que agregam valores produtivos, culturais e ecológicos, proporcionando ao turista a oportunidade de conhecer e saborear um pouco mais da nossa história;

2) as perspectivas futuras da pecuária bovina apontam para a incorporação de variabilidade genética ao rebanho comercial, que atendam, principalmente, às características de adaptabilidade ao ambiente e de resistência a doenças. Os bovinos Pantaneiros parecem adequados também como opção na criação de “raças compostas” adaptadas às condições adversas presentes no ambiente da região pantaneira; e

3) a carne bovina é considerada um produto com baixo valor agregado e sem diferenciação, o que tem condicionado os agentes da cadeia produtiva a competir exclusivamente por preço. Como conseqüência, o produto chega ao consumidor com baixa qualidade, oriundo de um processo produtivo falho no controle nas diferentes etapas. Por outro lado, nichos de mercado, para produtos oriundos de carne de qualidade, se desenvolvem onde consumidores exigem preferencialmente, produtos que atendam a procedimentos éticos, sanitários, bem-estar animal, preservação ambiental e desenvolvimento social.
Portanto, a utilização do bovino Pantaneiro em sistemas de produção da região passa por uma estratégia econômica que estimule os pecuaristas a incorporarem o bovino Pantaneiro, mostrando as alternativas para a conservação da raça, por meio da implantação de certificação de produtos por Denominação de Origem Protegida (DOP).

DOP é um “selo” dado a um produto cuja produção, transformação e elaboração ocorrem em uma área geográfica delimitada com um controle de todas as etapas de produção reconhecidos e verificados. Desta forma é possível incentivar a produção pecuária em determinadas regiões, proteger os nomes de produtos contra imitações e fornecer ao consumidor informações relativas às características específicas dos produtos.
Esse tipo de modelo pecuário já é adotado em alguns países da Europa, que incentivam a criação de raças nativas como alternativa comercial em áreas de preservação e de propriedades rurais tradicionais, que são valorizadas pela iniciativa de preservação do patrimônio genético e cultural de seu país.

O bovino Pantaneiro, por ser uma raça adaptada às condições de ambientes rústicos, é uma alternativa para o desenvolvimento de sistemas de produção sustentáveis para geração de renda, em populações próximas a áreas de conservação, onde a bovinocultura, com a utilização das raças naturalizadas, seria uma prática segura. Pode ser uma opção na busca de sistemas de produção sustentáveis, associando viabilidade econômica e lucratividade com preservação ambiental e contribuição para melhorar a qualidade de vida.

(*) Raquel Soares Juliano (raquel@cpap.embrapa.br), é médica veterinária e Dra. em Ciência Animal. Urbano Gomes Pinto de Abreu (urbano@cpap.embrapa.br), é médico veterinário e Dr. em Zootecnia. Sandra Aparecida Santos (sasantos@cpap.embrapa.br), é Dra. Em Produção e Nutrição Animal, são pesquisadores da Embrapa Pantanal.

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