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Atualizado em: 20/5/2019 11:36

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Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

FGV: ritmo da economia está abaixo do esperado

 
 
 
Publicado em 09/05/2019

O ritmo da atividade econômica brasileira decepcionou nos primeiros meses do ano, ficando aquém do projetado e esperado para o período. Esse fenômeno pode ser observado por meio do comportamento de diversos indicadores relativos ao comportamento da atividade.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que antecipa, em alguma medida, o comportamento do resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, registrou um crescimento de 1,7% no acumulado do primeiro bimestre do ano, ficando abaixo do esperado. Esse resultado ganha contornos mais negativos ante o fato de que esse indicador registrou uma variação sazonalmente ajustada negativa na margem, com queda de 0,7% em fevereiro relativamente ao mês anterior.

O desempenho da indústria brasileira aponta para a mesma direção. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira acumula, nos dois primeiros meses do ano, uma queda de 0,2% em relação ao primeiro bimestre do ano passado. Com exceção da produção de bens duráveis, os demais setores por categoria econômica (bens de capital, intermediários, semi e não duráveis) registraram uma relativa estagnação nos dois primeiros meses do ano em relação ao primeiro bimestre de 2018.

Não sem razão, a taxa de desocupação brasileira média em janeiro e fevereiro de 2019, medida pelo IBGE, ficou praticamente no mesmo patamar da verificada no mesmo período do ano passado. Caso a atividade econômica estivesse registrando uma recuperação mais robusta, a desocupação, claramente, deveria estar caindo nesse período.

Por conta da atividade econômica mais fraca do que o esperado no começo do ano, as projeções para o crescimento econômico brasileiro têm sido sistematicamente revistas para baixo. De acordo com o Banco Central, as previsões de mercado, no final do ano passado, eram de que a economia brasileira iria registrar um crescimento econômico superior a 2% em 2019 em relação ao ano passado. O desempenho da atividade econômica no primeiro trimestre já colocou a mediana dessas projeções para menos de 2% neste ano. Algumas projeções, inclusive, já sinalizam que a economia brasileira deverá crescer um pouco mais do que 1% neste ano. Muitos já apontam que 2019 é um ano perdido em termos de crescimento e sinalizam que uma potencial retomada mais robusta ocorreria apenas no ano que vem.

Vale destacar que não é a primeira vez, nos últimos anos, que a economia brasileira decepciona em termos de crescimento nos primeiros meses e que essa frustração detona um processo de revisão geral das projeções de crescimento para baixo. O que se verifica, no início de 2019, é basicamente uma repetição do que foi visto no começo do ano passado. Nesse sentido, da mesma forma que se esperava um crescimento maior neste ano, as projeções do final de 2017 também apostavam em um crescimento mais robusto da economia brasileira no ano seguinte. O que, de fato, se verificou foi um baixo crescimento nos primeiros meses de 2018, o que frustrou essas expectativas e levou as projeções do ano passado a serem revistas para baixo. A realidade dos fatos mostrou que o crescimento econômico brasileiro de 2018 ficou pouco acima de 1%.

É bem provável que um fenômeno similar ocorra neste ano: o desempenho da atividade econômica nos primeiros meses do ano aponta para essa direção. Fica cada vez mais evidente que esse resultado independe da aprovação da reforma da previdência.

De fato, a aprovação da reforma é essencial para sinalizar uma trajetória mais favorável das contas públicas. A dimensão da economia prevista pela reforma dependerá, em última instância, do grau de desidratação que ela sofrerá ao longo do seu processo de tramitação no Congresso.

De qualquer forma, ainda que a aprovação da reforma enseje uma melhoria de expectativas no mercado financeiro e da parte de alguns investidores, ela será insuficiente para reverter o quadro de relativa estagnação da atividade econômica brasileira.

Isso se deve ao fato de que o consumo das famílias, que representa cerca de dois terços da demanda agregada brasileira, ainda não exibe sinais de recuperação consistente. Ao que parece, o processo de redução do grau de endividamento relativo das famílias, que abriria espaço para um novo endividamento e um maior consumo, ainda não se encerrou. Enquanto esse ajuste não se processar inteiramente, é pouco provável que a economia brasileira volte a exibir um maior dinamismo. Ao que tudo indica, uma recuperação mais robusta ficou mais para frente.  Com informações da Agroanalysis/FGV.

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