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Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
150,00 141,00 146,00
GO MT RJ
139,00 135,00 146,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 1380,00
Garrote 18m 1630,00
Boi Magro 30m 2000,00
Bezerra 12m 1010,00
Novilha 18m 1250,00
Vaca Boiadeira 1420,00

Atualizado em: 13/12/2018 11:59

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
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Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Uma boa oportunidade para o setor leiteiro

 
 
 
Publicado em 25/04/2008
Roberto Rodrigues

O setor leiteiro está vivendo um momento de grande mudança no mundo todo. O segmento industrial está se concentrando, e empresas cada vez mais poderosas estão sendo constituídas. Faz sentido porque um dos pontos-chave para a rentabilidade desta cadeia produtiva é escala: o lucro por unidade é insignificante, quando existe, de modo que só com volumes bastante altos se pode progredir.

Mas faz sentido também pelo horizonte futuro do consumo de leite e de seus derivados. Nos últimos 25 anos, o consumo brasileiro per capita/ano de leite subiu de 90 litros para quase 140. E no mundo a tendência é a mesma. Tal fato se deve basicamente ao aumento da renda dos consumidores de países emergentes, puxando o aumento da produção. Alguns estudiosos acreditam que 2008 seja o último ano de equilíbrio entre a oferta e a produção de leite no mundo, com um número em torno de 680 bilhões de litros. E que, por volta de 2014, mantidos os atuais padrões de tecnologia e produtividade, poderá haver um déficit global da ordem de 30 bilhões de litros.

É claro que isto não acontecerá, porque os produtores, animados com a perspectiva de melhor remuneração, investirão em tecnologias, melhoria de raças, alimentação e manejo, tirando mais leite por animal e por hectare de forma competitiva.

No entanto, há limites para este crescimento em algumas áreas produtivas. Nos Estados Unidos, maior produtor mundial (com 80 bilhões de litros anuais), o aumento da produtividade só ocorrerá com custos muito elevados, enquanto os enormes subsídios recebidos pelos seus produtores vêm sendo questionados pela sociedade e discutidos na rodada de Doha, da Organização Mundial de Comércio (OMC). O tema dos subsídios também ameaça os europeus, enquanto neozelandeses (grandes exportadores) e australianos estão limitados pela terra disponível e por questões ambientais, inclusive disponibilidade de água.

O Brasil tem, neste cenário, uma grande oportunidade. E, de fato, vem crescendo a produção láctea no País. Nos últimos dez anos, saltou de 18,6 bilhões de litros para mais de 27 bilhões. Em 1997, importamos mais de 2 bilhões de litros para atender à demanda interna, sem exportar um único litro. E, já em 2006, exportamos mais do que importamos, pela primeira vez, invertendo a balança comercial.
Atualmente, nossa produtividade ainda é muito baixa: só 1% das fazendas brasileiras conseguem uma produtividade superior a dez litros por vaca por dia. Embora isto represente 29% de toda a produção nacional, estamos muito longe dos produtores da Nova Zelândia, Canadá, Dinamarca e Holanda, cujas médias superam 30 litros.

E 94% das nossas fazendas, representando 32% da produção total do país, estão abaixo de 5 litros/vaca/dia. É muito pouco.

Mas tem um lado positivo: podemos crescer em produtividade, usando novas tecnologias que estão disponíveis nos centros de pesquisa e universidades, melhorar a gestão das fazendas, agregar valor à matéria-prima através das cooperativas e de indústrias modernas já existentes.

Mas há outros temas para enfrentar.

O primeiro é o da informalidade. Não é mais possível, no interesse da sanidade pública, manter um grau tão alto, da ordem de 34%. E isto leva à rastreabilidade do produto, como um grande desafio operacional. Quando o Brasil for um importante player mundial no setor - e será - a certificação vai ser exigência tão forte quanto à que a União Européia (UE) faz hoje com a carne.Na área de sustentabilidade há também um desafio formidável. Neste capítulo está o tema do meio ambiente, com atenção para o uso da água, especialmente no tratamento de efluentes e resíduos; e o destino das embalagens usadas precisa ser normatizada.

A questão sanitária é igualmente fundamental, com ênfase para a perfeita sanidade dos animais, que devem ser livres de doenças como a brucelose, a tuberculose, a raiva, a toxoplasmose e a própria aftosa.

Mas não é só aí que a sanidade é importante.

O mercado não deve aceitar produtos de leite que tenham resíduos químicos ou contaminantes que representam riscos à saúde humana, assim como de antibióticos e pesticidas.

Em resumo, a qualidade da matéria-prima é absolutamente essencial para a conquista de mercados externos e consolidação do interno.

Estamos no bom caminho, e não podemos perder esta boa oportunidade. Nossos produtores estão modernizando sua atividade com grande competência e visão do futuro. Isso garantirá ao Brasil avanços importantes no promissor mercado lácteo mundial.

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura do governo Lula, é coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior de Agronegócio da Fiesp, professor de Economia Rural da Unesp/Jaboticabal.

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