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Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Retomada das exportações de carne bovina

 
 
 
Publicado em 09/04/2009

Fabiano Tito Costa
Zootecnista

Na matéria publicada em novembro de 2008, fizemos a seguinte colocação: ...”como o problema da oferta ainda não foi equacionado, o que ditará o comportamento dos preços pecuários ao longo do próximo ano será, principalmente, a demanda”.

Em outro trecho da mesma edição, destacávamos que “as atenções devem estar voltadas às informações e análises relacionadas à economia mundial, ao câmbio, ao resultado das ações do governo para aumentar a oferta de crédito, ao comportamento das vendas de carne no atacado e no varejo doméstico e à situação dos estoques dos principais importadores”.

Bom, de lá para cá o que vimos foi uma forte retração da economia mundial, a desvalorização do real (que não foi suficiente para compensar a queda do preço da carne exportada, mas que jogou a dívida dos frigoríficos para as alturas), a inabilidade do governo em restabelecer a oferta de crédito (e o setor frigorífico foi um dos mais atingidos), o arrefecimento das vendas domésticas de carne e, principalmente, a queda das vendas externas, com os importadores priorizando a queima de estoques.

Esses acontecimentos foram analisados, em boa medida, na edição 76 deste informativo, que circulou em março.

Um dos primeiros impactos da crise econômica, junto à cadeia produtiva da carne bovina, foi registrado através da retração das vendas externas. Em setembro de 2008, último de mês bonança, o Brasil exportou 198,09 mil toneladas equivalente carcaça (in natura e industrializada). No mês seguinte foram 189,87 mil toneladas, caindo para 135,17 mil toneladas equivalente carcaça em novembro.

Agora, porém, as primeiras notícias positivas vêm justamente do mercado externo. Em fevereiro último os embarques ficaram bem abaixo dos patamares registrados no mesmo período de 2008, mas com uma ligeira recuperação em relação ao mês anterior. Em março, a tendência de recuperação ganhou força. Acompanhe na figura 1.

 

As exportações brasileiras de carne bovina in natura (os embarques de industrializada ainda não foram divulgados), em março, alcançaram 106,37 mil toneladas equivalente carcaça, com faturamento de US$233,60 milhões.

Houve um recuo de 3% em volume e de 14% em receita na comparação com o mesmo período do ano passado, o que era esperado. A boa notícia é que, em relação ao mês anterior (fevereiro/09), quando foram embarcadas 85,80 mil toneladas equivalente carcaça, com faturamento de US$185,90 milhões, tem-se um aumento de 24% em volume e de 26% em faturamento.

Veja na figura 1 que esse foi o melhor desempenho registrado para as exportações de carne bovina in natura desde outubro de 2008.

Outro fato positivo é que o preço médio da carne in natura exportada subiu 1%, passando de US$2.166,67 para US$2.188,70 por tonelada equivalente carcaça. Parece pouco, mas pelo menos colocou um fim no movimento de baixa. Acompanhe na figura 2.

 

Em relação a março de 2008, o preço médio atual, em dólares, está 12% mais baixo. Em reais, porém, em função da desvalorização da moeda nacional, tem-se uma alta de 19% no período: R$4.245,71 para R$5.064,06 por tonelada equivalente carcaça.

A margem dos exportadores, que piorou significativamente desde o estouro da crise (setembro/outubro de 2008), se comportou de forma positiva quando analisamos um intervalo mais longo. Isso porque o boi, em reais, subiu apenas 2% entre março de 2008 e março de 2009. Não estamos avaliando o efeito do câmbio sobre o “grau de alavancagem” das indústrias. Essa é outra conversa.

A melhoria do desempenho das vendas externas é resultado da redução dos estoques mundiais. A verdade é que o mundo não vai deixar de consumir carne. Os patamares de preço e de consumo podem até ter mudado, mas a demanda ainda está aí, lembrando que a produção mundial está em queda.

Vale destacar que, para abril, alguns frigoríficos estimam que o volume exportado, em relação a março, pode aumentar entre 15% e 20%. Isso levaria a um resultado próximo de 125 mil toneladas equivalente carcaça, superando as 116,37 mil toneladas de abril de 2008. Seria a volta dos recordes.

O bom desempenho das exportações ajuda a regular a oferta doméstica de carne bovina e a manter aquecida a demanda por animais terminados. Uma exportação de 120 mil toneladas equivale a, aproximadamente, 500 mil cabeças bovinas. Assim, tem-se um ambiente favorável à firmeza do mercado do boi gordo.

A análise de novembro de 2008 ainda é válida, ou seja, a demanda é que ditará (e vem ditando) o comportamento dos preços pecuários ao longo de 2009. Porém, à época, as perspectivas não eram boas. O cenário, agora, começa a mudar.
 

Fonte: Scot Consultoria

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