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Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
140,00 132,00 135,00
GO MT RJ
132,00 129,00 136,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 1200,00
Garrote 18m 1430,00
Boi Magro 30m 1720,00
Bezerra 12m 900,00
Novilha 18m 1130,00
Vaca Boiadeira 1350,00

Atualizado em: 19/10/2017 10:19

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
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Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

ARTIGO - Desatino rural

 
 
 
Publicado em 11/09/2009

Editorial publicado no Jornal O Globo desta sexta-feira - 11/09/2009

Não é só do pré-sal que viverá a economia brasileira nos próximos anos. De vários outros setores, entre os quais o agronegócio, ainda se esperam importantes contribuições, tanto na produção de alimentos como na de biocombustíveis.

O agronegócio resistiu bravamente à crise financeira internacional, aproveitando oportunidades quando elas surgiram (o caso do açúcar, com a alta de preços ocorrida por causa da quebra de safra na Índia, ou da soja, cuja remuneração interna se manteve estável com a ajuda do câmbio). Dessa forma, apesar de todas as adversidades climáticas e de mercado, o setor produzirá este ano a segunda maior safra de grãos da nossa história.

Esse nível de produção é essencial para o recuo nos índices de inflação, favorecendo especialmente a população mais pobre, que poderia ter perdido poder aquisitivo com a crise. A inflação em queda também pavimentou o corte nas taxas básicas de juros, pelo Banco Central, para um patamar que ninguém poderia imaginar meses atrás.

Mesmo cumprindo papel tão fundamental para a economia brasileira, o agronegócio volta e meia se vê ameaçado, principalmente por movimentos políticos, como os que fazem demagogia sob a bandeira legítima da reforma agrária. A legislação em vigor permite a desapropriação, pelo governo, para efeito de redistribuição entre trabalhadores rurais, de propriedades improdutivas.

Com esse conceito, centenas de milhares de famílias foram reassentadas no Brasil nos últimos anos. No entanto, como o “estoque" de latifúndios improdutivos diminuiu sensivelmente, aumentaram as pressões para que se revejam os índices de produtividade que permitem determinar se a terra é passível de desapropriação ou não. Se é necessário que haja febre, que se mudem os números do termômetro.

Aliás, em nome da transparência, os índices de produtividade dos assentamentos do Incra também deveriam estar disponíveis.

O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, já se pronunciou contra essa revisão no momento, até porque isso poderia afetar agricultores que temporariamente diminuíram sua produção para se adaptar a flutuações de mercado, ainda mais na crise. O problema é que não está em discussão uma questão técnica, mas um pleito encaminhado pelo MST, com representantes infiltrados em aparelhos cedidos pelo governo na máquina pública. E as pressões se dão já num momento de excitação políticoeleitoral. O presidente Lula, noticiase, concordou com a revisão.

Desfechará um tiro no pé do país e do próprio governo, ao punir um dos setores mais dinâmicos da economia, devido a ranço ideológico.

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