Cotações Mapas Notícias em seu e-mail
Precisa vender? Mais de 6.000 visitantes diariamente esperam pelo seu produto aqui no Pecuaria.com.br. Clique aqui e veja como e facil anunciar!
Arroba do Boi - R$ (À vista)
SP MS MG
313,00 302,00 313,00
GO MT RJ
304,00 298,00 298,00
Reposição - SP - R$
Bezerro 12m 2620,00
Garrote 18m 2900,00
Boi Magro 30m 3420,00
Bezerra 12m 2240,00
Novilha 18m 2680,00
Vaca Boiadeira 2840,00

Atualizado em: 6/12/2021 11:15

Cotações da Arroba: SP-Noroeste, MS-Três Lagoas, MG - Triângulo, GO - Região Sul, MT - Rondonópolis, RJ-Campos
Clique aqui e veja cotações anteriores

 

 

 

 


 
Receba, diariamente, em seu
e-mail nosso boletim com os assuntos que mais interessam
ao profissional do setor.

Clique aqui e inscreva-se gratuitamente.


Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

O avanço da cana sobre o pasto

 
 
 
Publicado em 11/04/2007

Nelson Pineda

A indústria sucroalcooleira do Brasil vive dias de exuberância e expectativa ímpares. Graças à tecnologia utilizada na produção do etanol, o país ganhou prestígio e despertou o interesse de países desenvolvidos na busca por soluções que diminuam o impacto causado pela poluição na atmosfera. Mas a febre em torno do biocombustível pode trazer conseqüências desastrosas ao setor agropecuário.

Com a perspectiva de que os investimentos estrangeiros vão aumentar consideravelmente nos próximos anos, muitos fazendeiros já pensam em trocar o gado pela cana-de-açúcar, num movimento sem paralelos que pode ter reflexos irreparáveis ao setor pecuarista, sobretudo no interior do Estado de São Paulo.

A disposição dos administradores públicos em incentivar a implantação de novas usinas de beneficiamento de cana é compreensível. Mas não se pode admitir que o entusiasmo em torno do “ouro verde” prejudique o desenvolvimento de setores que também possuem peso inegável na balança comercial, como a pecuária.

Nos últimos dez anos, a exportação de carne bovina saltou de US$ 500 milhões para US$ 3 bilhões, o que permitiu alcançarmos o topo do ranking mundial, com cerca de 20% do mercado, com taxas de crescimento anual em valor (24%) e volume (31%). Mas a contrapartida governamental para estimular o setor ficou aquém do esperado, já que os produtores registraram aumento do custo efetivo de produção de 31% e um acúmulo de perdas que levou os preços da mercadoria ao menor patamar dos últimos 50 anos.

O contrasenso na aplicação de recursos não se limita ao estímulo à cana-de-açúcar. Nos últimos anos, o governo federal destinou milhões de reais para fazer a reforma agrária, em doses inversamente proporcionais ao que foi gasto com a pecuária. O investimento é justo e ameniza a situação difícil de milhares de famílias que vivem em situação de miséria. Mas de nada adianta se não houver o fortalecimento de outras atividades no campo.

A posição privilegiada da pecuária nacional ainda não sensibilizou as autoridades, ao contrário do que ocorre com a cana. Até 2014, nossa liderança no comércio de carne bovina deve ser ainda maior, já que o consumo aumentará consideravelmente, uma tendência que se acentua com o passar dos anos, ao mesmo tempo em que o número de produtores cairá consideravelmente, sobretudo por causa da redução do espaço para a atividade. Nesse sentido, o cenário que se apresenta diante de nossos olhos é fantástico, indicando que somente seis players permanecerão produzindo carne bovina – Brasil, Austrália, Canadá, Argentina, Índia e Nova Zelândia.

Sem investimentos para a implantação de um rigoroso controle de vigilância sanitária, o produtor eficiente viverá ameaçado de ver seu produto rejeitado pela irresponsabilidade de quem não se preocupa em prevenir o surgimento de focos de febre aftosa. Desde 2000, a União Européia determinou a adoção de controles severos na rastreabilidade do gado. Mas ainda hoje o Brasil tem dificuldades para se enquadrar dentro dessas exigências.

As outras mazelas enfrentadas pelo setor são comuns à maioria dos empresários brasileiros, como o câmbio, a política de juros altos e as dificuldades impostas pela lei. Se hoje controlamos um quinto do mercado mundial com todas essas dificuldades, imagine qual seria nossa parcela se houvesse maior seriedade em torno dessas questões.

Enquanto isso, o estímulo à produção de etanol segue a todo vapor, incentivando o capital estrangeiro, com especial atenção para áreas localizadas em São Paulo. Aos poucos, os pequenos produtores alugam suas terras em troca de bons ganhos na colheita da cana. Se o governo estadual não agir rápido, corre o risco de ver essa indústria migrar para regiões como o Vale do São Francisco, no oeste baiano, e os estados de Goiás e do Tocantins. Vai entregar, de bandeja, uma parcela importante da arrecadação tributária e ainda terá de explicar ao consumidor o porquê do inevitável aumento de preços.

O empresário do campo não pode ficar refém da produção de etanol, principalmente porque está comprovado que existe vida além do mar de cana-de-açúcar vislumbrado por nossas autoridades. Se essa insistência se intensificar, a situação do setor pecuarista deve se agravar. Sem dinheiro para desenvolver tecnologia e ampliar a produção, o gado bovino nacional pode começar a gerar desconfiança nos mercados estrangeiros. Se canalizarmos a energia somente em torno da cana-de-açúcar, estaremos regredindo, numa espécie de retorno à monocultura dos tempos do Império. Um retrocesso que pode custar caro.

* Nelson Pineda é engenheiro, pecuarista e Diretor Técnico da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu

  Compartilhe Compartilhe esta matéria    Imprimir

 


   Leia também:
 
[06/12/2021] - EUA não vão parar de importar carne do Brasil
[06/12/2021] - Não vai ter carne para atender chineses
[06/12/2021] - Arroba: frigoríficos vão pagar ainda mais?
[06/12/2021] - Arroba: mercado de olho no consumo
[06/12/2021] - Milho: vendedores seguram oferta e preço sobe
[03/12/2021] - Arroba: referências em alta
[03/12/2021] - Arroba: frigoríficos pagam bem mais

Regras para a publicação de comentários


   Notícias Anteriores
 
[03/12/2021] - Leite: mercado sofre ajuste
[03/12/2021] - Exportações do Agro cresceram quase 20%
[03/12/2021] - Agro precisa de apoio, diz FAESP
[03/12/2021] - Minerva conclui compra de frigoríficos
[03/12/2021] - Crédito rural: contratações cresceram 23,5%
[02/12/2021] - Arroba: frigoríficos entram com força na compra
[02/12/2021] - CEPEA: boi volta a bater nas máximas
[02/12/2021] - Rússia habilita mais duas unidades para exportação
[02/12/2021] - Vizinhos da Rússia também querem importar carne
[02/12/2021] - Por que o PIB do Agro caiu?
[02/12/2021] - Inflação medida pelo IPC também perdeu força
[01/12/2021] - Arroba: boi segue em alta
[01/12/2021] - Arroba: frigoríficos já estão pagando mais em SP
[01/12/2021] - EUA devem aumentar importação de carne do Brasil
[01/12/2021] - Exportações: volume caiu, mas preço da carne subiu
[01/12/2021] - Deputados debatem aumento de custo na pecuária
[01/12/2021] - MAPA prorroga vacinação em 14 estados
[01/12/2021] - Câmara aprova indenização a pecuaristas
[30/11/2021] - Arroba: frigoríficos pagam acima da referência
[30/11/2021] - Scot vê oferta curta de boi
[30/11/2021] - Boi gordo em alta em Goiás
[30/11/2021] - Abates aumentaram 18% em Mato Grosso
[30/11/2021] - Frigoríficos prevêem disparada do boi
[30/11/2021] - Leite: preço do leite caiu com força
[30/11/2021] - Senado aprova preço mínimo para perecíveis
[30/11/2021] - Tereza: produtor precisa ser pago por preservação
[29/11/2021] - Arroba: mercado agora espera sinal do consumo
[29/11/2021] - Embargo chinês é jogada comercial, diz produtor
[29/11/2021] - Ministro chama ameaça da UE de protecionismo
[29/11/2021] - Milho: preços reagem após 2 meses de queda
[29/11/2021] - Vacinação contra aftosa é prorrogada em SP
[29/11/2021] - Leite: indústrias reclamam de queda nas vendas
[29/11/2021] - IGP-M perde força e fica abaixo das previsões
[26/11/2021] - Arroba: boi em alta, carne também subiu
[26/11/2021] - Arroba: preços também subiram em SP
[26/11/2021] - Margem do pecuarista deve subir se China voltar
[26/11/2021] - Confinamento cresceu em 2021 e deve crescer mais
[26/11/2021] - EUA: Brasil lidera produtividade agropecuária
[26/11/2021] - Economia: atividade cresceu 2% em outubro
[26/11/2021] - Senado aprova projeto que pode reduzir frete
[25/11/2021] - Arroba: mercado em alta
[25/11/2021] - CEPEA vê arroba do boi a R$ 310
[25/11/2021] - Milho cai em Mato Grosso do Sul
[25/11/2021] - Produtores de suínos comemoram abertura russa
[25/11/2021] - Arbitragens mostram a briga por trás da JBS
[24/11/2021] - Rússia libera exportações de 12 frigoríficos
[24/11/2021] - Arroba: o que fazer agora?
[24/11/2021] - Arroba: reabertura chinesa já mexe com o preço
[24/11/2021] - Tereza: embargo chinês pode cair em dezembro
[24/11/2021] - Lácteos: preços em queda no Paraná

     Clique aqui para ver o índice geral de noticias


 

 

 

Adicione seu site Comprar e vender Atendimento ao anunciante Mais buscados

Venda para a pecuária brasileira através da Internet!
Clique aqui e veja como anunciar no Pecuária.com.br