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Garrote 18m 2790,00
Boi Magro 30m 3770,00
Bezerra 12m 2070,00
Novilha 18m 2530,00
Vaca Boiadeira 2820,00

Atualizado em: 18/5/2022 10:15

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Adriano Garcia
MTb 10252-MG

 

Frigoríficos precisam depender menos da China

 
 
 
Publicado em 11/05/2022

A onda de lockdowns na China devido à disseminação da Covid-19 e a ameaça de uma desaceleração econômica no país tem mexido com diversos mercados ao redor do mundo. O gigante asiático é considerado um motor global para vários segmentos, principalmente para empresas ligadas à commodities. Dentre elas, um setor se destaca na relação comercial entre os chineses e os brasileiros — os frigoríficos.

Diante disso, a pergunta que fica para os frigoríficos brasileiros é: Qual a saída para as empresas em meio ao cenário de “pausa” na China? A solução é a diversificação de compradores, segundo analistas ouvidos pela Agência TradeMap.

Para Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, os frigoríficos brasileiros ampliaram suas relações comerciais nos últimos anos, conseguindo novos compradores em outras partes do mundo, o que acaba amenizando as perdas com uma pausa nas importações chinesas.

“Essas companhias ampliaram seus negócios na Europa, Oriente Médio e até na própria Ásia e África. Isso ajuda quando você está num momento em que um comprador (China) está mais fraco, você acaba redirecionando as vendas para outros, ou até mesmo para o consumo interno”, comenta Cruz.

André Zonaro, analista da Nord Research, avalia que tanto o Brasil quanto a China são “extremamente interdependentes em relação a oferta e a demanda” de carne bovina. “Claro que os dois países conseguem redirecionar parte da oferta e da demanda para outras regiões. Contudo, quando falamos de volume, pensando num ano inteiro, é difícil imaginar que os países não tenham impactos caso tenhamos restrições por mais tempo”, diz Zonaro.

Dados da Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) mostram que a China é o país que mais importa carne bovina do Brasil. No ano passado, o país asiático comprou cerca de 1,867 milhão de toneladas.

No primeiro trimestre deste ano, a China foi responsável por 59% de todas as exportações de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada, de acordo com o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). O segundo lugar ficou com os Estados Unidos, com 8,7% e na sequência o Egito, com 6,3%.

Na China, as restrições de mobilidade começaram no final de março, em uma resposta do governo ao aumento de casos de Covid-19. A questão é que o país possui as chamadas “políticas zero Covid”, com lockdowns severos mesmo com poucos casos relatados.

Essa iniciativa levou ao congestionamento de portos no país. Em relatório publicado nesta terça-feira (10), a agência de classificação de risco Fitch Ratings disse que às restrições impostas como parte da política de zero Covid-19 levaram a uma queda no volume de tráfego de carga de Xangai em abril e início de maio.

“Com menos caminhões operando e a equipe do porto de Xangai incapaz de carregar e descarregar navios no ritmo normal, acumularam-se atrasos significativos nas docas da cidade”, explicou a Fitch.

A agência de risco também ressalta que esse momento de interrupção nos portos da China pode trazer problemas para a inflação global, que já vem sendo notada em diversos países da Europa e nos Estados Unidos.

“Com Xangai lidando com cerca de um quinto do volume portuário da China e o país respondendo por 15% das exportações mundiais de mercadorias, a escassez de produtos manufaturados pode se intensificar, aumentando as pressões inflacionárias globais existentes”, analisa a Fitch.

Para Cruz, as consequências dessa menor compra por parte da China deve ser visto nos resultados do segundo trimestre dos frigoríficos.

Cenário nos Estados Unidos

Apesar de não enfrentar restrições de mobilidade devido à pandemia, o segundo maior importador da carne brasileira sofre com uma desaceleração econômica causada pelo avanço da taxa de juros numa tentativa de conter a inflação.

Recentemente, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) anunciou um aumento de 0,50 ponto porcentual na taxa, para a faixa de 0,75% a 1,00% ao ano. O movimento era amplamente esperado pelo mercado há pelo menos um mês, quando ficou evidente que a inflação nos EUA estava longe de perder força.

Cruz explica que, apesar da desaceleração econômica nos EUA, o mercado de trabalho continua aquecido por lá. Na última sexta-feira (6) foram divulgados os dados de empregos americanos, o chamado payroll, que apontou a criação de 248 mil novos empregos em abril, resultado acima das expectativas do mercado.

De acordo com Zonaro, o momento de aperto econômico pode dificultar a alimentação familiar, tanto dentro quanto fora de casa, o que pode impactar o comércio dos frigoríficos nos EUA.

Porém, o analista da Nord Research reforça que a JBS e Marfrig, empresas com muita exposição aos EUA, já possuem instalações no país, o que acaba diminuindo os impactos.

“Vejo uma economia americana ainda rodando numa velocidade forte, num ritmo aquecido e com pessoas pedindo demissão para pegar trabalhos com salários maiores. Imagino que as exportações para lá sigam fortes”, destacou Cruz, da RB Investimentos. Com informações do Trademap.
 

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